domingo, 2 de outubro de 2016

Review: Como Jesus se tornou Deus

Como Jesus se tornou Deus Como Jesus se tornou Deus by Bart D. Ehrman
My rating: 5 of 5 stars

Pra alguém que ama História como eu, este é um livro difícil de largar. Seus relatos vívidos, seus comentários sagazes, suas expressões hilárias (como assim, "a ascensão física de um corpo real ossudo e comedor de peixe"?!), sua fartura de citações contemporâneas aos fatos discutidos, tudo contribui para tornar prazerosa sua leitura.

Ao contrário de "Jesus: A Biografia" (http://abelardicas.blogspot.com.br/20...), esta é obra de um descrente. Como tal, pode doer nas almas mais sensíveis, que não admitem nenhuma insinuação de que Jesus seja qualquer outra coisa senão Deus em sua plenitude. Mas é um livro respeitoso. Claro, fundamentalistas consideram respeitoso apenas o que reforça suas crenças. Estes se sentirão desrespeitados. Não é o meu caso.

Não quero entregar o conteúdo, mas preciso pontuar um aspecto que me saltou aos olhos. A vastíssima maioria do cristianismo atual abraça e defende a doutrina da Trindade, considerando-a ponto central e inegociável de sua fé. Mas, é claro, sempre houve e sempre haverá os que acreditam diferente, por achar que tal doutrina corrompe e afronta o monoteísmo, roubando de Deus a singularidade de sua glória. Longe de mim dizer quem tem razão. No entanto, ler de um não cristão como a crença na deidade plena de Jesus se desenvolveu ao longo do tempo reforçou em mim uma convicção antiga: a alternativa seria rasgar as Escrituras.

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sábado, 17 de setembro de 2016

Jesus: A Biografia

Jesus: A BiografiaJesus: A Biografia by Jean-Christian Petitfils

My rating: 5 of 5 stars


O livro me surpreendeu logo de cara. Trata-se de um estudo profundamente erudito acerca do Jesus histórico, mas, inesperadamente pra mim, escrito por um homem que crê no Jesus teológico.

Concluída a leitura, minha surpresa inicial transformou-se quase em gratidão. O autor foi capaz de defender com enorme competência a historicidade dos evangelhos, especialmente o de João (mais uma surpresa!), dissipando a pesada bruma de lenda e mito que nos últimos séculos as mentes mais céticas fizeram baixar sobre essas narrativas, a ponto de tornar razoável duvidar até da mera existência de Jesus.

O historiador ainda se atreve a demonstrar que, dentre tantas relíquias supostamente ligadas a Jesus, três merecem o selo de autenticidade: o sudário de Turim (o Santo Sudário), o sudário de Oviedo e a túnica de Argenteuil. A crer no escritor, cristão nenhum precisa temer pela realidade material e histórica do Cristo, da qual há evidência concreta, visível, passível de estudo e capaz de resistir às análises mais rigorosas. Um tesouro para o estudante de história; um alento à fé.

Por falar em fé, se a sua depende de crer na infalibilidade textual dos evangelhos, ou da Bíblia inteira, fique longe de um livro como este: o historiador não hesita em apontar falhas e contradições, internas e externas, do texto sagrado. Internas, as que fazem um evangelista desmentir outro; externas as que são desmentidas pela história. Quem entende bem o conceito de inspiração sabe que isso é mais que natural. Da minha parte, tais ressalvas apenas tornam mais críveis tanto este livro quanto os próprio evangelhos.

Minha única queixa: a tradução. A Benvirá precisa fazer um cuidadoso trabalho de revisão para reimpressões e edições futuras se não quiser comprometer a credibilidade de uma obra tão valiosa e da própria editora.



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sexta-feira, 10 de junho de 2016

O mito do amor materno

Ano passado, tive com amigos um pequeno debate sobre o tema. Gostaria de deixar registradas aqui minhas considerações – só a parte escrita – a respeito.

Assisti à entrevista de Elisabeth Badinter (http://veja.abril.com.br/multimidia/video/o-culto-da-mae-perfeita-e-diabolico-com-as-mulheres-afirma-elisabeth-badinter). Entrevista linda, também por conta da graça da entrevistadora, Betty Milan. Não lembro de uma conclusão da entrevistada que eu não corrobore. Mas, em lógica, é possível chegar a conclusões verdadeiras a partir de premissas falsas (Todo cavalo voa. Pégaso é um cavalo. Logo, Pégaso voa.). A filósofa alicerça sua obra numa premissa falsa.

O amor materno não é mito. O instinto materno não é mito. Se lhes serve de consolo, vale o mesmo para amor e instinto paternos. Vale o mesmo para o amor de um casal. Estão todos fundado no instinto de perpetuação (dica: a homoafetividade desvia-se tanto desse instinto quanto o amor a uma criança adotada). A título de analogia, acrescento que, por instinto de sobrevivência, desenvolvemos o amor entre amigos e até o amor a Deus, exista Deus ou não. Não consigo deixar de mencionar que até torcer para um time se baseia nesse mesmo instinto. Essas coisas estão inscritas no nosso DNA, fazem parte da nossa natureza biológica e ainda não foram anuladas pela racionalidade nem pela cultura. Raios, vocês são psicólogos, nunca ouviram falar de sublimação?

Antes que eu esqueça, esses instintos, de pessoa pra pessoa, variam desde o irrelevante até o inescapável, com uma grande faixa de “normalidade” no meio.

Coisa totalmente diferente é a pressão cultural para que mães sejam amorosas, dedicadas, altruístas, abnegadas, felizes e satisfeitas com a maternidade e, pior ainda, com a subalternidade que esse papel supostamente lhes impõe. Ainda que a opressão de gênero seja removida dessa equação, ser tão “perfeita” é impossível para quase qualquer mulher que já tenha caminhado sobre a face da terra. Mais uma vez: se lhes serve de consolo, nos últimos tempos, os pais – sim, os homens – também têm sofrido essa pressão. Eu sei.

O cerne da nossa discussão foi: o instinto, ou amor, materno é mito? Não. Mil vezes não. Mito é a maternidade idealizada, que permite acusar de desnaturada toda mãe que não alcança esse “ideal”. Ou seja, toda mãe. “O culto da mãe perfeita é diabólico com as mulheres”.

Num dado momento, C. disse que o papel desse instinto é mínimo, que o componente cultural é preponderante. Se, por mínimo, C. quer dizer minoritário, eu concordo. Cérebros enormes e milênios de cultura têm suplantado em grande medida nossa programação genética, inclusive nos aspectos relacionados a maternidade, paternidade, reprodução e a diversas formas de amor. Nesse caso, nossa discussão girou em torno de diferenças de linguagem, e só.

Mas se mínimo quer dizer ínfimo ou irrelevante, discordo frontalmente, e pelas poucas razões acima. Nossa discussão, nesse caso, não gira em torno de diferenças de linguagem, mas do peso que damos aos componentes de uma realidade. Negar o que não pode ser negado, em nome de sei lá quantas elaborações mais ideológicas do que científicas, só leva a propor soluções erradas para problemas que já são difíceis o suficiente sem essas distorções, quanto mais com elas.

O mito do amor materno é um ótimo título pra vender um livro, mas só pode ser tomado como verdade se interpretado como “a concepção usual de como deve ser a maternidade é um mito”. Se entendido como “o amor materno não é natural, mas uma mera construção cultural”, trata-se apenas de um slogan ideológico sem amparo na realidade. Parafraseando C., é cansativo desenterrar o óbvio oculto sob um amontoado de slogans.

domingo, 27 de março de 2016

Estupro coletivo

Suponhamos o seguinte cenário, nada inverossímil: moça bonita, com roupa provocativa, caminha à noite num trecho não muito recomendável da cidade. Sozinha. Acontece o “inevitável”. Ela é cercada por um bando de marginais, que a levam para um beco escuro e perpetram um dos crimes mais hediondos já inventados: um estupro coletivo. Agora vamos “ao que interessa”: de quem é a culpa?

A pergunta acima faz sentido? Não conheço mente sadia que responda “sim”. Mas conheço mentes doentes que vão além e dizem: “Da moça, claro. Ela não devia estar sozinha. Não devia estar ali. Não devia se vestir como uma vadia. Ela procurou.” Eu vou mais longe: conheço alguns argumentos morais, religiosos, sociológicos e antropológicos capazes de endossar essa opinião. Mas não vou elencá-los. Tenho mais o que fazer.

Sim, o estupro é indefensável. Estupradores são indefensáveis. Pessoas decentes, pessoas de bem, ficam chocadas quando ouvem “argumentos” que transferem para a vítima a culpa de ter sido estuprada. E é chocante mesmo. Que tipo de “raciocínio” leva uma pessoa a adotar tamanha inversão de valores? O mesmo que leva tanta gente a defender Lula, Dilma, o PT e toda essa quadrilha que estupra o Brasil há treze anos.

Que não reste dúvida quanto ao que penso: fico chocado, perplexo, atônito mesmo de ver uma pessoa, supostamente “de bem”, defender bandidos inveterados cuja culpa é tão flagrante, tão evidente que não deveria mais ser objeto de discussão. Discutir se essa gente praticou crimes ou não faz tanto sentido quanto perguntar de quem é a culpa de um estupro. Defendê-los porque houve outros antes deles é como defender um bando de estupradores porque estes não inventaram o estupro. Exigir a impunidade deles porque não são os únicos corruptos em atividade é como dizer que só se pode prender um estuprador se forem presos, ao mesmo tempo e de uma vez, todos os outros. Alegar avanços sociais pra absolver Lula e sua gangue é como defender um estuprador porque ele dirige uma ONG benfeitora da “comunidade”. Acusar imprensa, polícia, ministério público e justiça de perseguir o PT e seu governo é como exigir que notórios estupradores sejam deixados em paz a menos que se achem almas puras e imaculadas para testemunhar contra eles.

Eu sei muito bem que não faltam intelectuais, artistas, jornalistas, cientistas políticos, filósofos e o diabo a quatro recheados de argumentos contra o que acabei de dizer. Isso não me comove. Não faltam livros, reportagens, artigos, documentários, vídeos e testemunhos dedicados a defender quaisquer ideias imagináveis. Isso não as torna verdadeiras. Pessoas “inteligentes” são capazes dos malabarismos retóricos mais rocambolescos pra defender suas ideias. A intenção clara, nesses casos, é confundir, pra que ninguém saiba direito o que pensar.

Mas não é preciso ficar refém da confusão. Pra não se perder nesse cipoal de “narrativas”, palavrinha cara às esquerdas focaultianas, basta ter claros alguns princípios. Um deles: a culpa de um estupro não é da vítima; é do estuprador. Outro: a culpa do amontoado de crimes que o PT cometeu ao longo de todos esses anos não é das vítimas desses crimes; não é dos cidadãos que querem ver essa gente fora do governo e, de preferência, na cadeia; a culpa é deles.

Que os culpados paguem.

domingo, 22 de novembro de 2015

O garoto que quer mudar o mundo - por Ronaldo Lemos

Fantástico! E assustador.

Há poucos dias, eu conversava com um amigo: o capitalismo não vai desabar por conta de uma revolução, ou de uma transformação radical da sociedade. Ele evoluirá, como tudo que veio antes, até que um dia um historiador, sociólogo ou economista perceba: "Epa! Isso que existe hoje é muito diferente do que costumávamos chamar de capitalismo; já é outra coisa." E vão dar a isso um outro nome.

Talvez tudo comece com algo como o que está descrito, abaixo, por Ronaldo Lemos.

(...) Imagine se a própria internet pudesse ser transformada em um gigantesco computador. Em vez de programar um dispositivo específico (como um celular ou um laptop), seria possível programar a própria rede. Ela passaria a executar as instruções automaticamente.

Esse é o princípio por trás do Ethereum. Se ele decolar, surgirá no planeta a primeira rede descentralizada capaz de tomar decisões autônomas, rodando "aplicações" sem que haja uma pessoa, uma empresa ou até mesmo um computador específico por trás delas. 

Pense, por exemplo, na controvérsia recente envolvendo aplicativos para chamar transporte urbano. (...)

Uma vez que essa funcionalidade é implementada no Ethereum, ela se torna imparável. Sempre que alguém pedir um carro por meio dela, a rede executará essa função. Não haverá governo, protestos, juízes, exércitos, cartórios ou oficiais de Justiça que serão capazes de fazer parar aquela atividade. Para "desligá-la" será preciso desligar a própria internet como um todo (se sobrar um pedaço que seja, a funcionalidade continua em operação).

Com isso, vale se preparar para a chegada de uma nova geração de serviços. Eles não precisão de nenhuma empresa (nem de nós, humanos) para serem operados. Serão embarcados na própria rede. Poderão gerar mecanismos incríveis para melhorar a vida das pessoas e reduzir custos. E também gerar aplicações selvagens, capazes de produzir danos em quem cruzar seu caminho, tudo automaticamente.

Não espanta que o bilionário Peter Thiel –famoso por sua visão política ultraliberal– tenha concedido uma de suas bolsas a Vitalik. Afinal, com sua criação, a própria ideia de democracia e de Estado pode ser profundamente transformada. (...)

Íntegra aqui.

sábado, 18 de julho de 2015

A cruz e a suástica

Pergunta: se um "reacionário" qualquer da América Latina oferecesse ao Papa Francisco um Cristo crucificado numa suástica, alguém acharia isso normal? Por que numa foice-e-martelo pode? Outra: quando os "reacionários" denunciam que a esquerda bolivariana, estreitamente associada ao PT, é comunista, logo vem algum "intelectual" de esquerda afirmar que isso é paranoia de saudosista da ditadura. Que diabos, a foice e o martelo são símbolo do quê, então?! Esses partidos têm ou não o socialismo como norte ideológico e histórico? E o que é socialismo senão - isso dizem os teóricos marxistas, não eu - o processo político, no mais das vezes revolucionário, de conduzir uma sociedade ao comunismo? Decidam, afinal: ser comunista é bonito ou feio? É moralmente edificante ou não? Se vocês não querem ser chamados de comunistas, por que teimam em ser socialistas?

Insistamos: se uma pessoa se declarar fascista - fascista mesmo, dos que admiram e se espelham em Mussolini, Franco, Salazar, Vargas (epa! mas as esquerdas gostam deste...) - que destino a espera entre os "bem-pensantes" senão a execração pública e o repúdio universal? Pior: e se o infeliz se disser nazista, com Hitler estampado na camiseta, bandeiras vermelhas decoradas com uma suástica no meio, citações "inspiradoras" de Mein Kampf compartilhadas no Facebook... Que juízo se faria de tal pessoa?

Então por que raios se considera normal usar camiseta de Che Guevara, expor cartazes gigantes de Lênin e Mao em convenções partidárias, ostentar bandeira vermelha decorada com a foice e o martelo, pertencer a partidos de inspiração marxista, leninista, stalinista, maoista, castrista, guevarista e chavista? Essa gente e suas ideias mataram deliberadamente, em nome de sua causa comunista/socialista, mais de cem milhões de seres humanos! Por que uma pessoa que repudia toda essa monstruosidade é considerada intolerante? Se socialistas merecem tolerância, por que não os fascistas? Se estes não a merecem, por que os socialistas a merecem?! Nos dois casos, nós estamos falando de ideologias assassinas em sua essência, autoritárias, totalitárias mesmo desde sua formulação teórica original. Por que aderir a uma é crime previsto em lei e à outra é coisa de humanistas generosos que, se são criticados, só pode ser porque seus críticos odeiam os pobres e detestam a igualdade?

Quando fascistas e nazistas mataram dezenas de milhões de pessoas, fizeram-no em nome de um suposto "bem comum", uma vez que os mortos eram, por razões políticas ou raciais, "inimigos" do mesmo Estado que se atribuía o direito e o dever de promover esse bem comum. Quando os socialistas e comunistas mataram dezenas de milhões de pessoais, fizeram-no pelo mesmíssimo motivo! Apenas o componente racial foi trocado, e não totalmente, pelo social: a "classe exploradora" é que devia ser exterminada. Se bem que... "a elite branca de olhos azuis" é uma coisa quase tão racista quanto "a elite financeira judaica" que o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães prometeu varrer da Alemanha pra acabar com a exploração da nobre, embora combalida, raça ariana. Desculpem-me o parêntese.

Se eu disser que sou um fascista ou nazista bonzinho, que não vou matar ninguém, que amo a democracia, a liberdade e a tolerância, que considero os regimes nazifascistas do século 20 uma degeneração do verdadeiro nazifascismo, que não era pra ser nada daquilo, isso vale? Vou ser admitido no rol das pessoas respeitáveis? Por que, então, os socialistas/comunistas se acham no direito de ser consideradas pessoas decentes com base no mesmo argumento? Por que é impossível usar uma suástica sem ser linchado moralmente, mas é inadmissível expor ao mesmo linchamento moral quem exibe a foice e o martelo?

Na Alemanha, muito mais que no Brasil, é crime promover o nazismo, sob qualquer forma e pretexto. Mas em muitos países do leste europeu, que sofreram o jugo do comunismo durante décadas, também é crime promover o comunismo. Eles sabem o que sofreram. Só os perfeitos idiotas latino-americanos ainda suspiram por essa tirania "do bem".

Acredite: pessoas decentes foram nazistas. Filósofos, artistas e intelectuais deram suporte teórico, moral e estético ao fascismo. Sua decência pessoal não muda a natureza da ideologia que você defende. Ter intelectuais e artistas do seu lado não torna certo o que você acredita. Nazifascismo ou socialismo/comunismo, tanto faz. São modos de enxergar o mundo totalmente incompatíveis com a liberdade e o respeito à vida humana, pelo simples fato de ver como inimigos de um mundo melhor os que não comungam de suas ideias. E inimigos serão sempre tratados como tal.

Tem mais no próximo post.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Gödel x Teoria de Tudo

Há alguns anos, conversando com uma amiga highbrow, eu disse que, pra mim, os paradoxos quânticos são o resultado de estarmos batendo numa parede: a matemática é uma linguagem, e não há linguagem capaz de abarcar toda a realidade. O teorema da incompletude de Gödel está aí pra nos lembrar disso: não podemos ter, ao mesmo tempo, coerência e completude. Uma descrição completa da realidade será necessariamente incoerente. Uma coerente será necessariamente incompleta.

Eis que descobri nesta semana que ninguém menos que Stephen Hawking, numa preleção em 2002, desenvolve basicamente o mesmo raciocínio.

Miserável. Ele sempre chega antes. :)

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