Blog destinado a qualquer assunto que possa despertar o interesse de mentes curiosas, tendo Pedro Abelardo (1079 a 1142 d.C.) como patrono e inspirador. Ah, e dedicado a Heloísa, claro.
O doleiro indicou como beneficiários de parte dos subornos o senador
Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, o deputado federal Eduardo da
Fonte (PP-PE), o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), morto
em agosto, e o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, que morreu em março
passado.
Mais uma vez, Youssef insiste que Sérgio Guerra e Eduardo Campos se beneficiaram do esquema. Querem saber? Eu acredito.
Não há palavras pra descrever meu assombro com a "intelectualidade" que me cerca. Não poderia haver pessoa inteligente e honesta indiferente - menos ainda complacente - com o absurdo que se desenrola diante dos olhos de todo brasileiro. O PT elevou a corrupção a alturas "nunca antes neste país" imaginadas. Já não falamos de milhões, mas de bilhões - dezenas de bilhões. Fora o prejuízo com a desvalorização da Petrobras - bilhões que já se contam às centenas. Se a empresa não recuperar sua credibilidade, esses gigantescos prejuízos terão de ser cobertos pelo Tesouro Nacional. Ou seja, seu dinheiro. De toda a população, inclusive - pior! - dos mais pobres, que sofrerão mais, como sempre. A alternativa? Bem, a Petrobras pode falir. Nem nos piores pesadelos políticos e econômicos se cogitou um dia tal coisa. Mas ela pode acontecer. Incrível!
A mais nojenta das argumentações de "intelectuais" de esquerda e simpatizantes é dizer que tudo se trata de conspiração da mídia golpista, que representa a direita em sua pretensão de voltar ao poder. É preciso ser oligofrênico pra acreditar nessa versão. Que a "direita" queira voltar ao poder é problema dela. Nosso problema é que essa quadrilha tem assolado o país desde que assumiu o poder. Ela tem de ser tirada de lá. Ponto.
O que esses intelectuais de barzinho não entendem - mesmo, eles não entendem! - é que um governo corrupto é muito pior que um governo de direita; que corrupção é muito pior que capitalismo; que é melhor ter um governo "neoliberal" que respeite o dinheiro público do que um governo "socialista" que assalte o erário. Eis a prova: Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Suécia, Dinamarca, Inglaterra, Chile, Bélgica, Holanda, Japão... A lista é longa. Nenhum desses países é socialista. Nenhum teve "revolução", essa tara sangrenta que move nossas viúvas de Che Guevara. Todos são capitalistas. Capitalistas! Uns mais liberais (no sentido político-econômico), outros mais intervencionistas, mas nenhum - nenhum! - desses povos é idiota - a palavra é essa - de pensar em abandonar seus regimes atuais em nome de uma guinada redentora rumo à esquerda revolucionária. E suas populações estão, em maior ou menor grau, muito bem, obrigado. E eu não citei países que sejam hoje - e muitos jamais o foram - exploradores da miséria do Terceiro Mundo. Seu bem-estar é fruto de suas virtudes, não da pilhagem dos mais fracos.
Ocorre que esses países têm entre suas qualidades a intolerância com a corrupção, seja ela de que ideologia for. Não lhes faltam corruptos, mas estes são punidos quando flagrados. Por que diabos nossa intelligentsia se recusa a fazer o mesmo com seus corruptos? Porque estes representam seus sonhos juvenis de "justiça social" e "igualdade", dois fetiches que roubam dessa gente a capacidade de repudiar peremptoriamente o inaceitável. Enquanto isso, a América Latina, a África e a maioria esmagadora dos países islâmicos são dominadas por elites corruptas até a raiz da alma. Nesses lugares, até a ajuda financeira, quando enviada pelos países ricos, não chega aos necessitados - nem mesmo em situações de calamidade. O dinheiro vai sumindo enquanto escorre pela hierarquia governante. Não por acaso, contam-se entre esses os países mais miseráveis do mundo. Nossa elite "pensante", no entanto, acha que a pobreza desses lugares é fruto da exploração capitalista...
Se queremos dar um país melhor pra nossos filhos e netos - esta geração já era -, temos que dar um "basta!" nisso tudo. Temos de mostrar que nunca - nunca! - seremos condescendentes com a corrupção, venha ela de onde vier. Os próximos políticos - de direita ou de esquerda, não importa - pensarão duas vezes antes de ser tão atrevidos em roubar o pão que nos deveria alimentar. Os novos escândalos deverão encarar o mesmo repúdio. Até que se tornem, cada vez mais, exceção em vez de regra.
Tem sido assunto desde terça-feira: Jair
Bolsonaro (PP-RJ) disse que não estupra Maria do Rosário (PT-RS)
porque ela não merece. Tal coisa, dita da tribuna da Câmara,
não merece menos que cassação por quebra de decoro parlamentar.
Espero que aconteça. Mas eu quero chamar atenção pra outra coisa:
o sentido do que ele disse parece ter escapado a todo mundo que
comentou o assunto na imprensa, até onde pude acompanhar. Ou, por
outra, acharam desnecessário ou inconveniente evidenciar esse
sentido. De minha parte, penso o contrário: é preciso esmiuçar e
denunciar o absurdo contido nessa ofensa.
Primeiro, o caso traz à lembrança o horrendo
preconceito alimentado por muita gente de que há mulheres que
merecem, sim, ser estupradas. São as que “não se dão ao
respeito”, as “sem-vergonha” que se vestem de forma provocante
e depois reclamam do assédio masculino e até, vejam que absurdo!,
de serem eventualmente estupradas. Todos os comentários que vi
parecem remeter a essa interpretação. Não foi o caso. Não foi o
que ouvi. Foi pior.
O que Bolsonaro quis dizer é que Maria do Rosário
pertence àquela categoria de mulheres que, de tão feias, tão
indesejáveis, tão intragáveis, não merecem “a honra, o gozo, o
prazer” de ser estupradas. Ainda mais por um “gatão” como ele.
Na escala de valores deturpada desse sociopata, ela está abaixo das
que “merecem” o estupro, que já estão por sua vez muito abaixo
das mulheres “decentes”. Ratifica-se então a
inacreditável “piada” de Rafinha Bastos, quando este afirmou
que algumas mulheres deveriam dar graças a Deus pela “oportunidade”
de ser estupradas. Com o agravante de que, na fala de Bolsonaro,
subentende-se que a feiura atribuída a Maria do Rosário é também de
ordem moral.
Ao comentar o assunto com um colega, ele me disse
que ontem Bolsonaro
se “explicou”. E sua “justificativa” confirma a minha
leitura do caso. Continuo sem entender por que ninguém se adiantou a
explicitar tal descalabro, que ofende as mulheres de um modo
inimaginável, dado o cargo de quem as ofendeu e o lugar em que a
ofensa foi proferida. Se eu fosse um deputado, a única chance de ele
escapar da cassação seria ele ajoelhar-se no milho e pedir perdão
por tudo que é mais sagrado. E olhe lá. Se os seus pares não o
fizerem, espero ao menos que a justiça o condene civil e
criminalmente. Quem sabe, depois disso, os demais parlamentares se
animem a livrar o País de tamanho calhorda.
Concluo pedindo perdão por um texto com tantas
aspas. É que a torpeza do incidente torna impróprio o sentido
original de muitas palavras. Faltam, ao menos no meu pobre
vocabulário, substitutas adequadas. Vi-me diante do inominável.
Quando descobri o texto abaixo, Dilma já era presidente. Mas, nesta era da mediocridade, esse texto brilhante ainda não ficou anacrônico. Para divertir e fazer refletir...
- Presidente da República, pai.
- Puxa, filho, que legal. Mas por quê?
- Pra não precisar estudar.
- Não, filho, não é bem assim. Precisa estudar muito.
- Então quero ser vice-presidente.
- Vice, filho? Por quê?
- Pra não precisar estudar. O José de Alencar também só foi até a quinta série primária. Já posso parar.
- Não é assim, filho. Ele trabalhou muito e aprendeu.
- Pai, todo mundo que se dá bem não estudou: o presidente, o vice, a Xuxa, o Kaká, o Zeca Pagodinho…
- É que eles têm um talento…
- Ah, entendi, estudar é para quem não tem talento?
- Não, filho, pelo amor de Deus. Artista é diferente.
- O presidente e o vice não são artistas.
- Não, quer dizer, o presidente, de certo modo, até é.
- Se eu estudar, vou ganhar mais do que o Kaká?
- Menos.
- Ah, é? Então quero ir já para a escolinha.
- Você já está numa boa escola, filho.
- Quero ir pra escolinha de futebol.
- Não, filho, você precisa estudar muito. A escola abre caminhos para as pessoas. Pode-se viver dignamente.
- Acho que vou querer ser corrupto.
- Meu Deus, filho, não diga isso nem de brincadeira!
- Na TV disseram que ninguém se dá mal por causa da corrupção e que tudo
sempre termina em pizza. Adoro pizza. Quando for corrupto, pedirei só
de quatro queijos.
- Ser corrupto é muito feio, meu filho.
- Ué, pai, se é feio assim, por que Brasília está cheia deles e quase todos conseguem ser reeleitos?
- É complicado de explicar, Wilk. Mas isso vai mudar.
- Quero ser corrupto e praticar nepotismo.
- Cale a boca, filho, de onde tira essas barbaridades?
- É só olhar televisão, pai. O Sarney pratica nepotismo e é presidente do Senado. Ninguém pode mexer com ele.
- Mas você sabe o que é nepotismo, filho?
- Sei. É empregar os parentes da gente.
- E você quer fazer isso?
- Claro. Assim ia acabar com os vagabundos da família.
- Filho, você precisa ter bons valores. Pense numa profissão, numa coisa
honesta e que seja respeitada. Não quer ser médico, dentista ou, sei
lá, engenheiro?
- Não. De jeito nenhum. Tô fora, pai!
- Mas por que, filho?
- Eles nunca vão no Faustão.
- Isso não tem importância, filho. Que tal bombeiro?
- Vou querer ser astronauta ou jornalista.
- Hummm… Jornalista? Por que mesmo, filho?
- Não precisa mais ter diploma pra ser jornalista.
Ok, eu costumo falar bem mal da nossa esquerda. Deve ser porque ela hoje está no poder. Se não fossem eles, eu certamente estaria falando mal dos outros. Sim, daqueles que, de boa vontade ou não, costumam ser identificados com a direita. Leio vários colunistas desse lado do espectro político. E poucas coisas me incomodam tanto neles do que a insistência de que no Brasil não existem racismo, machismo, homofobia, discriminação social... Tudo isso é mentira de grupos fascistoides de esquerda, claro.
Conheço uma pessoa cuja honestidade paira acima da dúvida. E que é muito grande pra ficar lamentando miudezas, pra se vitimizar. Daí que seja moderada em suas referências a essas questões. Mas o testemunho dela é um sonoro alerta para quem se vê tentado a negar o óbvio: somos um país de ódios escondidos, camuflados. Só por isso é possível dizer que eles não existem.
Antes, um pouco de história. No Brasil, vivemos
21 anos de uma ditadura odienta, cuja "inauguração" completa, em poucos
dias, 50 anos. Todos os bem-pensantes deste país se colocaram contra
aquele regime autoritário. Na vanguarda da oposição intelectual,
destacaram-se nossos melhores artistas. Até aí, tudo bem. Mas essa
história nos deixou um triste legado...
Que foi o seguinte: sendo
aquela ditadura "de direita", porque instaurada para "salvar" o Brasil
do comunismo, criou-se uma dicotomia que perdura até hoje. A direita é o
mal, a esquerda é o bem. E esse mantra fincou raízes profundas no meio
artístico-intelectual, herdeiro da resistência à ditadura. Nesse meio,
ainda se cultiva um discurso eminentemente socialista, revolucionário,
anti-imperialista, antiamericano, anticapitalista. Ser artista, dos que
se creem merecedores dessa alcunha (psiricos e assemelhados não
entram!), é ser "alternativo" e, portanto, contra "tudo isso que aí
está". Daí que os discursos "de esquerda" sejam sempre mais atrativos
nesses círculos.
Por conta disso, vê-se no meio
artístico-intelectual uma flagrante condescendência com desumanidades
aberrantes, como o regime cubano e seus trocentos presos políticos, seu
partido único, seu jornal único, sua polícia política; com a
transformação de Cuba numa gigantesca Alcatraz de onde a maioria só pode
sair com enorme risco de vida. A mesma benevolência é dedicada aos
regimes bolivarianos, especialmente o da Venezuela, que devastou o país e
submeteu sua população a um governo autoritário, personalista,
perseguidor, totalitário, assassino. Do mesmo modo, nosso governo
petista recebe salvo-conduto moral de toda uma classe artística, mesmo
quando rouba, corrompe, corrompe-se, censura, mente, persegue, mata,
prende desertores cubanos e os devolve a Fidel, atenta contra a vida de
perseguidos políticos de regimes "companheiros", distorce o sentido
claro do que seja democracia pra admitir no Mercosul a ditadura
venezuelana enquanto isola o Paraguai, afaga monstros como Ahmadinejad e
Kadafi só porque eles são antiamericanos... A lista é longa.
Raios,
por que essas barbaridades são toleradas em vez de denunciadas como
absolutamente inaceitáveis?! Porque a esquerda é o "bem", a mídia é
mentirosa, o capital é a raiz de todos os males, os Estados Unidos são o
Grande Satã... E a arte está do lado do bem, claro. Então a arte que
mereça esse nome é de esquerda, claro. Se a esquerda, eventualmente, se
vale de meios torpes, bem, sabe como é: os fins...
Recuso-me terminantemente a aceitar esse modus cogitandi. Quem quer que se valha da mentira, da
corrupção, do populismo, da censura, da perseguição, da intimidação e
até do assassinato sempre receberá meu repúdio. Não me importa que
ideologia defenda, de que cor se vista, de que lado esteja. Não será do
meu. E por isso tenho sido veemente e insistente em compartilhar
notícias e opiniões que coloquem a nu o absurdo a que nos trouxe essa
complacência com o injustificável. Não posso me dar ao luxo de me dizer
artista ou intelectual, mas tenho vários amigos que podem, e peço
encarecidamente a estes que deixem de lado essa nostalgia de um passado
heroico em que o "bem" estava supostamente do lado esquerdo da política. Naquele mesmíssimo tempo, no Leste Europeu, artistas e intelectuais que
faziam jus a ser assim chamados vergavam sob o peso de ditaduras ainda
mais nefastas do que a nossa. E de "esquerda".
O lugar da arte e
do pensamento não é ao lado da esquerda. Nem da direita. A arte, mais
que tudo, tem de se pôr ao lado da liberdade, da verdade, da humanidade,
dos direitos humanos, da vida. E defender esses valores onde quer que
eles sejam ameaçados. Por quem quer que seja. Sem lealdades partidárias
ou a figuras míticas de revoluções pretensamente redentoras.
A
suposta identificação da arte com a esquerda
socialista-marxista-revolucionária é totalmente equivocada. Essa
ideologia sempre foi avessa à verdadeira arte. Um exemplo só: lembro-me
bem da saudosa Rachel de Queiroz, dizendo em entrevista a Jô Soares por
que largou o Partido Comunista ainda em sua juventude. Eles queriam
interferir no que ela escrevia, transformar sua obra em mera peça de
propaganda cultural das ideias do partido. Ela lhes deu uma banana e foi
viver sua vida e sua arte. Como todo artista e livre-pensador deve
fazer.
Nessa mesma entrevista, Rachel de Queiroz disse que não
havia diferença real entre um stalinista e um integralista (quem conhece
a história sabe do que se trata). Traduzindo para nossos dias: esquerda
e direita, quando se valem de métodos autoritários, mentirosos e
corruptos, são indistinguíveis.
Por motivos de força maior, deixei pendente por muito tempo o desenvolvimento deste tema (e do blog). Retomo as duas coisas agora. O texto merece alguns reparos, mas trata-se de um e-mail, não de um artigo; então preferi preservar muitos dos defeitos típicos da escrita informal e apressada do correio eletrônico. Merece reparo também a descrição que faço de uma via pela qual trafegava diariamente na época do texto. Muita coisa mudou desde então: sinalização, limite de velocidade, fiscalização eletrônica (na verdade, a ausência dela)... Para melhor, mudou o comportamento dos motoristas: embora muitos ainda não respeitem a faixa, a maioria também não quer mais assassinar quem dá a devida preferência ao pedestre. Já é um ganho e tanto.
----- Original Message -----
From: Rosivaldo Fernandes Alves
To: c.@yahoogrupos.com.br
Sent: Thursday, September 27, 2007 10:01 PM
Subject: RES: [c.] Re: Off-topic: Semana de trânsito
F., :-)
A SMTT e a polícia não são equivalentes. Analogia não é equivalência. Uso analogia para esclarecer: o cidadão tem deveres para com os outros cidadãos, que devem ser cumpridos mesmo que o governo não cumpra sua parte, e os cidadãos devem exigir punição para o cidadão que descumpre seu dever para com os outros cidadãos. O que toda a imprensa sergipana fez, como também faz esse discurso de dizer que radar não deveria existir enquanto a SMTT não fizer sua parte, é exigir impunidade para os infratores. E essa impunidade é exigida porque nossa sociedade tem uma cultura que privilegia a impunidade, o passar a mão na cabeça, o dar um jeitinho. E nós temos essa cultura porque nossa indiferença para com as leis é tão generalizada que sabemos que mais cedo ou mais tarde todos nós vamos precisar dessa condescendência. Então, todos somos "compreensivos" com os que "erram", já que qualquer um de nós poderia estar no lugar deles.
Repito: não sou um alienígena. Eu dirijo, e vejo o que os outros motoristas fazem no trânsito. 90% deles jamais poderiam sair de casa e voltar sem ter ao menos cinco multas nas costas. E isso nada tem a ver com má sinalização. Seu exemplo, embora corretíssimo, nada tem a ver com o que ocorre no dia a dia. No São Conrado, todo santo dia passo por um trecho em que os motoristas são avisados centenas de metros antes, duas vezes, dos dois lados da pista: velocidade máxima, 40 km/h. Pelo simples fato de que à frente o condutor vai passar por uma área estreita, com grande aglomeração e movimentação de pessoas, travessia de pedestres, inclusive crianças indo à escola e voltando dela, além de pontos de ônibus em calçadas estreitas de uma avenida curva. Passo o primeiro aviso, ninguém reduz pra 40. Desculpe-me a presunção: apenas eu. Passo o segundo: reduzem, apenas porque à frente há uma lombada eletrônica. Não querem que o radar os pegue. Imediatamente após a lombada eletrônica, há uma faixa de pedestres à qual ninguém obedece. Porque ninguém obedece, há um quebra-molas imediatamente após a lombada, o que é a maior prova do nível troglodita de nossa civilização. Como o quebra-molas não é suficiente para os motoristas terem a decência de parar para os pedestres que desejam atravessar a rua, frequentemente é necessária a presença de agentes de trânsito parando os carros à força, para que a faixa seja respeitada. Não me venha falar que nossos motoristas fazem absurdos pela falta de sinalização. Essas coisas são pura e simples falta de educação mesmo.
Eu sou um dos pouquíssimos imbecis que para em toda faixa de pedestres sempre que algum quer atravessar. O direito é dele. Ninguém jamais bateu no fundo do meu carro, porque eu tomo a precaução de reduzir com antecedência e observar se posso parar com segurança. Inúmeros motoristas já me deram buzinaços e já fui alvo de inúmeros xingamentos. No mesmo São Conrado, há mais duas faixas de pedestres além da que fica junto à lombada. Paro nessas também. Um dia, um motorista de um carro da SMTT me deu um buzinaço, me xingou e sinalizou que era absurdo eu parar em duas faixas de pedestres consecutivas, atrapalhando o precioso parcurso dele. Coisas como essa só confirmam o que eu estou careca de saber: dos supostos "cidadãos" (as aspas são porque nós não temos esse tipo de coisa de verdade por aqui) aos agentes públicos, todo mundo só está preocupado com o próprio umbigo. Todos se lixam para o "outro".
Eu não fico incondicionalmente ao lado da lei. Fico incondicionalmente ao lado do direito, da justiça e da ética. Tenho inteligência suficiente para perceber quando uma lei é absurda e sou capaz de denunciá-la por isso. Não me falta bom senso. O que eu tenho é educação.
Um abraço,
Rosivaldo.
[P.S.]: No São Conrado, há placas que indicam a presença das faixas de pedestres com bastante antecedência, bem como ao lado das próprias.